segunda-feira, 10 de junho de 2024

Escolhendo bem seu representante!

A proposta desse texto é trazer ao leitor uma análise crítica sobre os pontos a observar na escolha de um representante nas eleições, seja para o poder executivo (Prefeitos, Governadores ou Presidentes) ou para o poder legislativo (Vereadores, Deputados e Senadores).

Escolhendo bem seu representante!

Primeiro vamos tratar de:

DEMOCRACIA



Democracia é um regime político em que os cidadãos participam igualmente, diretamente ou através de representantes eleitos, na proposta, no desenvolvimento, na criação de leis (poder legislativo) e na execução delas (poder executivo), através da gestão, fiscalização, coordenação e prestação de serviços públicos.

Considerando isso vamos falar um pouco sobre a burocracia que envolve tudo isso.

PROCESSOS BUROCRÁTICOS




Nos regimes democráticos contemporâneos os processos burocráticos constitucionais foram criados e implantados para que o estado não sofresse mudanças drásticas com novos governos, ou seja, existem barreiras burocráticas que devem ser seguidas para se implementar mudanças. O estado não pode mudar drasticamente com esse ou aquele governo. O não cumprimento dessas regras pode levar ao impeachment, cassação ou até mesmo prisão de um representante público que não as seguir.

Estabelecido isso vamos falar sobre valores e promessas:




Em período eleitoral, e sabemos disso muito bem, que diversos candidatos à representantes públicos aparecem tentando convencer o maior número de eleitores possível de que seus valores e ações futuras atenderão suas expectativas, porém, sabemos também, que passado esse período, tudo parece ser esquecido e os anseios do povo acabam sendo colocados em segundo plano em virtude de projetos de poder, interesses partidários e pessoais.



Justamente por esse motivo é que resolvi trazer algumas questões:

Primeiro vamos falar sobre...

PODER LEGISLATIVO

Os representantes da população desse poder (Vereadores, Deputados e Senadores) são responsáveis por carregar os valores e anseios dos seus eleitores nas leis, projetos, votações, fiscalizações e intervenções em geral, mas é necessário entender como isso funciona no Brasil atualmente.

Existe uma estrutura partidária que rege, ou pelo menos direciona, a atuação desses “representantes do povo” durante seus mandatos.

O que um membro do legislativo tem ou diz ter de valores pessoais e as promessas de campanha que ele faz, ficam, na realidade, em segundo plano, pois os direcionamentos partidários fruto dos acordos ou coligações realizadas podem e com certeza ditarão os rumos de suas vidas públicas, até pelo fato de haver punições severas dentro dos partidos para os membros que não seguirem esses direcionamentos.

E onde pretendo chegar com isso?

Para uma escolha qualificada de um representante no poder legislativo que defenda seus valores e anseios, é necessário, além de ouvi-lo, também verificar os valores e diretrizes do partido ao qual ele é filiado, assim como o histórico de coligações desse partido, pois quando houver futuramente algum acordo para votações e decisões é muito provável que os aliados do passado sejam os parceiros do futuro.

Não vote apenas pelos valores pessoais do candidato ou pelo que você ouvir em seus discursos!

Vote consciente considerando a estrutura partidária que ele representa e os aliados que ele e o partido já tiveram no passado.



PODER EXECUTIVO

Os representantes da população desse poder (Prefeitos, Governadores e Presidentes) são responsáveis por gerir os recursos, fiscalizar a atuação da máquina estatal, coordenar e direcionar a atuação dos serviços públicos prestados à população, levando em consideração o direcionamento político dos seus valores e anseios dos seus eleitores expressado nas urnas.

É importante lembrar que:

Um mandato de um representante público só tem validade se ele for fiel à suas promessas de campanha...

...pois essa foi a vontade popular expressa nas urnas!



Os valores e promessas de um representante popular no executivo são bem relevantes, PORÉM, não é apenas isso que determina os rumos da sua atuação no cargo.

Vamos tratar de alguns aspectos que são importantes observar antes de escolher um representante para o poder executivo:

  • LEGALIDADE: O poder executivo terá sua atuação pautada pela legalidade de suas decisões. Para que suas promessas de campanha sejam cumpridas é necessário que as ações a serem executadas sejam legais, ou seja, ele precisa de leis aprovadas e apoio do legislativo para uma atuação mais efetiva. Antes de escolher o representante é necessário analisar:
    • Quem apoia sua candidatura?
    • Quem são seus aliados do passado e de hoje? e
    • Quem são os membros do seu partido ou coligações partidárias que serão instruídos a apoiá-lo em suas propostas?
  • CAPACIDADE DE EXECUÇÃO: Para gestão, fiscalização, coordenação e orientação na prestação de serviços públicos um representante eleito para o poder executivo precisará contar com muitos apoiadores e membros do seu governo que o ajudará nessas tarefas. Se o candidato não tiver a capacidade de juntar esses apoiadores sob um mesmo conjunto de valores, ele passará mais tempo do seu mandato resolvendo conflitos internos de interesses do que resolvendo problemas ou prestando serviços públicos.
  • FIRMEZA NOS VALORES: Por fim, mas não menos importante, é necessário saber quão sérios e verdadeiros são os valores professados por um candidato em período eleitoral. É impossível saber as verdadeiras intensões de alguém, principalmente de mentirosos...


Assim diz o Senhor: "Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força, mas cujo coração se afasta do Senhor...

Jeremias 17:5

...por isso uma boa forma de agir no período eleitoral é pesquisar como foi o comportamento desse candidato nas últimas décadas (fora do período de campanha!). Perguntas importantes que devem ser feitas:

  • De onde ele veio?
  • Quais são os valores de sua família?
  • Como ele se comporta em sua vida privada?
  • O que ele fez até hoje?
  • Quem são seus amigos e aliados?
  • Quais grupos ele representa?
  • Quem está apoiando sua candidatura? e
  • Com quem ele se comprometeu para chegar onde chegou?

Entre outras coisas essas foram as principais perguntas que acredito que devam ser ledavas em consideração e suas respostas devem apontar para um alinhamento aos seus anseios e necessidades maior do que o simples discurso de palanque eleitoral.

Espero sinceramente que esse texto possa ajudar o máximo de pessoas possível a encontrar candidatos que realmente representem seus valores e anseios e que haja uma política sinceramente voltada aos valores e anseios do povo.

Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor, cujo povo Ele escolheu para si mesmo.

Salmos 33:12

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Tira essa roupa preta!

Quem não se lembra da celebre frase do personagem Capitão Nascimento no filme Tropa de Elite?
“- Tira essa roupa preta que tu é moleque!” 
Pois é...

Esse é o tema da minha reflexão de hoje!

Moleque: Substantivo masculino que quer dizer garoto de pouca idade. Imaturo. Infantil. Que faz travessuras. Que não se comporta bem, como adulto ou com maturidade. 
Roupa Preta: No contexto do filme era um símbolo importante de poder, comportamento, agressividade e por consequência, muita, mas muita responsabilidade mesmo. 

Trazendo da ficção e abstraindo para o nosso contexto nas artes marciais: 

A roupa preta é nosso DOGI. É nosso manto de treino. É uma vestimenta que nos diferencia de muitas outras artes marciais. Também faz referência às sombras, que para nós é associado ao princípio da humildade na esfera do temperamento e ao anonimato, controle e furtividade na esfera do treinamento e comportamento. Ou seja, é algo que nos define e diferencia em meio a outros.




O Sakura Dojo Brasil é um dos representantes oficiais da Bujinkan no Brasil. E detém algumas marcas importantes:

  • Foi um dos primeiros DOJO brasileiros a ter um SHIDOSHI ligado DIRETO ao Japão com SAKKI test realizado no Japão;
  • Também foi um dos primeiros (senão o primeiro) dos DOJO brasileiros a ter um SHIHAN com nome oficialmente no HONBU DOJO; E
  • Por último, mas definitivamente não menos importante, foi o PRIMEIRO DOJO brasileiro a ter um DAI SHIHAN devidamente autorizado pelo SOKE MASAAKI HATSUMI.

Se falamos dessa forte ligação com a Bujinkan Japão, não obstante falar também dessa ligação com as nove famílias e o que elas representam na história do Japão. Ligação essa que nos leva até o período histórico SENGOKU quando foi necessário um levante “popular” contra a opressão das liberdades individuais e da vida da população.

Independente dos desfechos históricos japoneses. O BUDOKA sempre esteve ligado ao conceito da defesa dos mais fracos através da técnica, ética e tática. Não é aceitável para um BUDOKA se aliar a tiranos, criminosos desonrados condenados ou descondenados e opressores da liberdade ou da vida alheia.

Por essas, e outras, que é muito importante para nós do Sakura Dojo Brasil, a tradição e o respeito à vida e às liberdades individuais. Não é e nunca será aceitável que entre nossas fileiras existam representantes que não respeitem essa nossa história e tradição.

Entendo e sou resiliente que as vezes alguns alunos iniciantes possam se equivocar e no calor e imaturidade da juventude se enverede pelos caminhos progressistas contra a vida e contra as liberdades individuais, porém isso é considerado INACEITÁVEL nas hierarquias superiores do nosso Sakura Dojo Brasil.


É por isso que não tenho a menor dúvida e nem receio em gritar a plenos pulmões:

- TIRA ESSA ROUPA PRETA QUE TU É MOLEQUE!

quarta-feira, 4 de maio de 2022

O Cristão e o Voto Consciente no Brasil (2022)

O objetivo dessa postagem é jogar uma luz sobre a zona de sombreamento que há entre os valores cristãos e a esfera de atuação dos poderes executivo e legislativo em nosso país atualmente.

A motivação de escrever sobre isso foi a minha percepção de que os cristãos atualmente não têm ideia do que é caro, precioso ou atualmente fundamental para nossa fé e a manutenção do direito de exercê-la em nosso país.

Para abordar esse tema vou me deter em três pilares:

Primeiro Pilar: Aborto

É de competência regimental do Poder Executivo, nomear o Ministro da Saúde, que por sua vez escolhe seus Secretários Nacionais, que por sua vez escolhem seus Diretores e que por sua vez escolhem seus Coordenadores Gerais e Coordenadores. Nas esferas estaduais e municipais o mesmo acontece, com suas características específicas. Essa estrutura hierárquica irá direcionar a abordagem dos serviços públicos de saúde e como será o direcionamento das pautas dentro da administração naquele período. Do legislativo são as atribuições criar, alterar e revogar leis que regem todo o processo da administração pública.

Não é difícil perceber que nosso país é um polo, quase que isolado, de resistência contra as tendências mundiais na questão do aborto. O aborto nada mais é do que um assassinato de um ser humano que não pode se defender.

Exigir dos candidatos um posicionamento inequívoco contrário ao aborto é fundamental para se basear um voto cristão consciente.

Segundo Pilar: Ideologia de Gênero

É de competência regimental do Poder Executivo, nomear o Ministro da Educação, que por sua vez escolhe seus Secretários Nacionais, que por sua vez escolhem seus Diretores e que por sua vez escolhem seus Coordenadores Gerais e Coordenadores. Nas esferas estaduais e municipais o mesmo acontece, com suas características específicas. Essa estrutura hierárquica irá direcionar a abordagem dos serviços públicos de educação e como será o direcionamento das pautas dentro da administração naquele período. Do legislativo são as atribuições criar, alterar e revogar leis que regem todo o processo da administração pública.

Atualmente essa pauta tem sido ponto de conflito entre conservadores e progressistas, pois nela reside a semente da destituição da estrutura familiar como importante esfera de sustentação social e por consequência cultural. É na família que princípios religiosos são plantados, cultivamos e nutridos. É no seio familiar que os princípios de valores são devidamente fixados em cada indivíduo como membro produtivo da sociedade.

Exigir dos candidatos um posicionamento inequívoco contrário à ideologia de gênero é fundamental para se basear um voto cristão consciente.

Terceiro Pilar: Liberdades individuais/Desarmamento Civil

É de competência regimental do Poder Executivo, nomear o Ministro da Justiça, que por sua vez escolhe seus Secretários Nacionais, que por sua vez escolhem seus Diretores e que por sua vez escolhem seus Coordenadores Gerais e Coordenadores. Assim como nomear o diretor da Polícia Federal e exigir o alinhamento com as pautas governamentais refletindo a vontade da maioria expressa nas urnas. Nas esferas estaduais e municipais o mesmo acontece, com suas características específicas. Essa estrutura hierárquica irá direcionar a abordagem dos serviços públicos de segurança e como será o direcionamento das pautas dentro da administração naquele período. Do legislativo são as atribuições criar, alterar e revogar leis que regem todo o processo da administração pública.

Atualmente essa pauta divide os cristãos, pois existem aqueles que, ao meu ver, são equivocadamente pacifistas e existem aqueles que entendem que quando O nosso Senhor Jesus Cristo fala (no Livro de Lucas 22:36) sobre a necessidade de se proteger com “espada” ele está falando sobre a necessidade de se manter vivo e livre, assim como também manter a própria família viva e livre para viver o evangelho e assim cumprir o Ide (do Livro de Marcos 16:15).

“...Ele lhes disse: "Mas agora, se vocês têm bolsa, levem-na, e também o saco de viagem; e, se não têm espada, vendam a sua capa e comprem uma...”

“...E disse-lhes: Ide por todo omundo, pregai o evangelho a toda criatura....”

Exigir dos candidatos um posicionamento inequívoco contrário ao cerceamento das liberdades individuais e do desarmamento vivil é fundamental para se basear um voto cristão consciente.

Conclusão:

Não é permitido ao cristão ser morno, sem sabor ou ficar “sobre o muro” (Apocalipse 3:15,16).

“...Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente!

Assim, porque você é morno, nem frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca...”

É dever do Cristão amar a Deus sobre todas as coisas, assim como conhecer o seu Deus pela forma que Ele decidiu se revelar: As Sagradas Escrituras. Se o Deus que você adora é diferente daquele revelado na bíblia, então seu deus é você mesmo. Qualquer coisa diferente disso que seja anátema (Gálatas 1:8,9)

“...Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.

Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema...”

É verdade que o Reino de Deus não é aqui na terra, mas a nossa obrigação enquanto imitadores de Cristo é continuar fiel a Ele até o dia em que Ele nos leve para junto dEle na morada celestial que fica à direita do Trono de Deus (Mateus 25:33-46), pois na esquerda fica o outro destino.

“...E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda.

Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;

Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;

Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver.

Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?

E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?

E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?

E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;

Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;

Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.

Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?

Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.

E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna...”


 


sexta-feira, 19 de março de 2021

Estatuto do Desarmamento: Política Pública Eficaz?

Sobre O Estatuto do Desarmamento

No Brasil, o Estatuto do Desarmamento é uma lei federal, derivada do projeto de lei nº 292 (PL 1555/2003), de autoria do então senador Gerson Camata (MDB/ES), que entrou em vigor no dia seguinte à sanção do então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 23 de dezembro de 2003. Trata-se da Lei 10826 de 23 de dezembro de 2003, regulamentada pelo decreto 5123 de 1º de julho de 2004 e publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte, que "dispõe sobre registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição (...)".

O governo promoveu um referendo popular no ano de 2005 para saber se a população concordaria com o artigo 35 do estatuto, que tratava sobre a proibição da venda de arma de fogo e munição em todo o território nacional. O artigo foi rejeitado com 63,94% dos votos "NÃO" contra 36,06% dos votos "SIM".

A lei proíbe o porte de armas por civis e dificulta muito a posse, com exceção para os casos onde haja necessidade comprovada, e essa comprovação será julgada de forma discricionária por agentes públicos, não sendo garantido ao cidadão esse direito, mesmo cumprindo todos os requisitos; nesses casos, haverá uma duração previamente determinada e sujeita o indivíduo à demonstração de sua necessidade em possuir e portá-la, com efetuação de registro e porte junto à Polícia Federal (Sinarm) ou ao Comando do Exército (Sigma).

Análise Realizada

Como uma das minhas atividades em um Mestrado em Administração Pública na disciplina de Métodos Quantitativos, tive a oportunidade e tempo para realizar uma análise em uma massa de dados. Tendo em vista essa oportunidade decidi pesquisar e analisar os dados da violência no Brasil.

Para realizar essa análise busquei dados oficiais sobre a violência no país e encontrei os dados do IPEA  no Atlas da Violência (https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/dados-series/20). Para evitar devios na análise, como a taxa de crescimento populacional, utilizei como unidade de pesquisa a Taxa por 100 mil habitantes. A hipótese testada em meu estudo foi: Houve impacto do Estatuto do Desarmamento sobre as mortes violentas no Brasil?


Para testar a hipótese fiz uma comparação, através análise de regressão, do período de 14 anos antes do Estatuto do Desarmamento (de 1989 à 2003) com o período de 14 anos após o Estatuto do Desarmamento (após 2003).

Resultados Gerais

Ao aplicar uma análise de regressão nos dados consolidados do país é possível se concluir, estatisticamente, que o Estatuto do Desarmamento não teve impacto algum sobre o crescimento da violência no Brasil, pois a curva prevista para o avanço da violência considerando o período entre 1989 à 2003 tem uma proximidade muito grande o que o ocorreu no período após 2003.


Conclusão Preliminar

A conclusão, sob a ótica da estatística, sobre os dados analisados é que todos o esforços (e dinheiro) empregados, com utilização da máquina pública (impostos do cidadão brasileiro), no desarmamento da população e para dificultar o acesso ao armamento não surtiu efeito, pois a violência continuou seguindo seu caminho natural e com uma forte tendência de crescimento.

Concluído o trabalho do mestrado, não me senti satisfeito, pois havia algo de estranho nos dados e na terrível performace dessa política pública e resolvi continuar a analisar os dados.

Análise mais Criteriosa

Para continuar a análise decidi me aprofundar nos dados e comecei a analisar não somente os números nacionais, mas também os números das regiões do país.


Quando analisamos as regiões do país é possível perceber que somente na região sudesde houve uma redução aparente na violência, mas mesmo assim decidi ir além e começar a descer ainda mais o estudo.

Região Norte


Ao analisar a Região Norte do país é possível perceber que a curva de tedência (linha pontilhada vermelha) foi seguida e ultrapassada pelos resultados encontrados.


Então decidi descer a nível de estado.


Rondônia: A linha de tendência se apresenta estável com uma leve tendência de alta e é acompanhada pelos resultados. Não houve impacto positivo.


Acre: A linha de tendência sobe e é acompanhada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo. Houve uma forte tendência de alta no final do período analisado.


Amazonas: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo com uma tendência a alta.


Roraima: A linha de tendência sobe e é acompanhada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo com tendência de alta ao final do período analisado.


Pará: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo.


Amapá: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo.


Tocantins: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo.

Região Nordeste



Ao analisar a Região Nordeste do país é possível perceber que a curva de tedência (linha pontilhada vermelha) foi seguida e ultrapassada pelos resultados encontrados. É possivel observar um vetor claro com tendências a alta.


Vamos a nível de estado.


Maranhão: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo.


Piauí: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo.


Ceará: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo e uma forte tendência a alta no final do período analisado.


Rio Grande do Norte: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo e com uma tendência a uma alta tão expressiva que provavelmente irá alterar o vetor de tedência.


Paraíba: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo.


Pernanbuco: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo e embora tenha havido um certo arrefecimento nos dados entre 2008 e 2014 no final do período houve uma tendência de alta retornando a linha de tendência.


Alagoas: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo.


Sergipe: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo.


Bahia: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo.

Região Sudeste


Ao analisar a Região Sudeste do país é possível perceber que a curva de tedência (linha pontilhada vermelha) apresenta uma leve tendência de alta foi seguida porém não foi ultrapassada pelos resultados encontrados.


Vamos a nível de estado, pois podemos observar que essa tendência de crescimento ameno não é comum para todos os estados da região.


Minas Gerais: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo.


Espírito Santo: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo e embora seja o estado do senador proponente do projeto de lei nos 6 anos posteriores ao estatuto houve uma piora significativa seguida de uma queda entre 2010 e 2016 havendo uma tendência de alta no final do período analisado.


Rio de Janeiro: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo. embora haja uma aparente queda nos números é importante observar que toda queda é seguida de uma alta equivalente e novamente uma queda. Aparentemente isso se dá pelas intervenções federais no estado. Seria necessário um estudo mais detalhado de outras variáveis para entender o que houve no Rio de Janeiro.


São Paulo: A linha de tendência (linha pontilhada verde) desce e é acompanhada pelos resultados. Houve impacto positivo, porém é possível observar que essa tendência de diminuição da violência antecede o estatuto pois se inicia em 1999 (4 anos antes), mas de fato se acentua após o estatuto e há tendência de queda aparente até o final do período analisado.

Região Sul


Ao analisar a Região Sul do país é possível perceber que a curva de tedência (linha pontilhada vermelha) foi seguida e ultrapassada pelos resultados encontrados.


Vamos novamente a nível de estado.


Paraná: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo, porérm é possível perceber uma tendência a queda no final do período analisado.


Santa Catarina: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo e com forte tendência a alta no final do período analisado.


Rio Grande do Sul: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo.

Região Centro-Oeste


Ao analisar a Região Centro-Oeste do país é possível perceber que a curva de tedência (linha pontilhada vermelha) foi seguida e ultrapassada pelos resultados encontrados.


Vamos mais uma vez a nível de estado.


Mato Grosso: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo.


Góias: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo.


Distrito Federal: A linha de tendência sobe acentuadamente e é acompanhada e superada pelos resultados. Não houve impacto positivo e pode-se dizer que houve um impacto negativo expressivo com uma tendência de queda no final do período analisado.

Conclusão

Após analisar todos esses número, é possível concluir, cientificamente, que o Brasil inteiro pagou com vidas o preço de uma política mal feita, a revelia da vontade popular, que teve um tímido resultado positivo em apenas 1 estado e provavelmente devido a sua região metropolitana mais densamente povoada.

Como todo esse trabalho foi realizado nas horas de folga e sem nenhum tipo de patrocínio ou incentivo, não pude me aprofundar mais e avaliar outras variáveis como por exemplo: outros marcos políticos relevantes ou valores gastos na elaboração, aprovação e implementação dessa política que se mostra falha e ineficaz para a grande maioria dos cidadãos brasileiros.

Peço de divulgem esses dados, informações e conhecimento gerado (citando a fonte é claro!), para que se houver interesse, o estudo possa ser mais apronfundado futuramente.